Filho de dono de fábrica que explodiu há 25 anos é preso suspeito de produção ilegal de fogos de artifício na Bahia

Empresa localizada em Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, é suspeita de realizar transporte e armazenamento de material explosivo sem cumprimento de normas de segurança e autorização do Exército Brasileiro.


Por: Cruz das Almas News 


O filho do proprietário de uma fábrica de fogos de artifício que explodiu a 25 anos em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia, foi preso na terça-feira (12), por suspeita de produção ilegal desses artefatos. Após prestar depoimento, ele foi liberado. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-BA).

Conforme o órgão responsável, a empresa Artesanato de Fogos Boa Vista, de propriedade de Gilson Prazeres Bastos Nunes e localizada em Santo Antônio de Jesus, não seguiu as regulamentações de segurança e não possuía autorização do Exército Brasileiro para transportar e armazenar material explosivo.

Desde a explosão em 1998, a produção de fogos de artifício na região passou a ser feita em casas e na zona rural, o que dificultava a fiscalização. 

A fiscalização contou com a participação de várias entidades, incluindo o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Rodoviária Federal, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia e o Conselho Regional dos Químicos.

As equipes encontraram 300 caixas de fogos de artifício de várias origens e produtos artesanais contendo pólvora na propriedade rural de Ronco d'Água, localizada no distrito de Boa Vista. 

A carga de explosivos foi apreendida e levada para o 35º Batalhão de Infantaria do Exército em Feira de Santana, a cerca de 110 km de distância.

O material será submetido à perícia pelo Departamento de Polícia Técnica e posteriormente destruído.

Tragédia em 1998


Em dezembro de 1998, ocorreu uma explosão na fábrica "Vardo dos Fogos", resultando na morte de 64 pessoas, principalmente mulheres e crianças negras. Segundo investigações, havia 1,5 tonelada de pólvora no local no momento da explosão. 

Em 2020, o Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pelas violações de direitos humanos no caso. Desde então, a Defensoria Pública da União passou a acompanhar o caso e orientar as vítimas e seus familiares. 

Em comemoração ao 25º aniversário da tragédia, os familiares das vítimas fizeram um protesto para exigir o cumprimento da sentença. 

A DPU também realizou um mutirão de atendimento aos familiares e vítimas em agosto deste ano, com o objetivo de acordar as compensações financeiras de forma extrajudicial.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Trabalhador Morre Atingido por Laje em Acidente de Trabalho em Cruz das Almas

Paulinho “Pelo Certo” Retorna à Ativa na Polícia Militar da Bahia

Quatro Alunos de Colégio Estadual em Salvador São Acusados de Tentativa de Envenenamento de Professores