MORRE AOS 98 ANOS A ATRIZ LAURA CARDOSO, DAMA DA DRAMATURGIA BRASILEIRA

O Brasil perdeu nesta terca-feira, 18 de agosto de 2026, uma de suas maiores atrizes. Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em sua casa no bairro do Sumaré, em São Paulo, de causas naturais. Segundo informações divulgadas, ela se sentiu mal e morreu enquanto dormia. 

O nome completo da atriz era Laurinda de Jesus Balleroni, nascida no dia 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo. Filha de imigrantes portugueses, começou a brincar de teatro ainda na infância, com caixotes de madeira no quintal. Com apenas 15 anos, em 1942, enfrentou a família e começou na Rádio Cosmos, em radionovelas.

Pioneira da TV brasileira

Laura é frequentemente referenciada como uma dama da dramaturgia brasileira e foi pioneira na televisão, atuando desde sua inauguração, em 1950. Sua carreira na TV começou oficialmente em 1952, no programa Tribunal do Coração, da TV Tupi, a convite da amiga Vida Alves.

Estreou em telenovelas em 1958 como Cosette em Os Miseráveis, da Tupi. Desde então, trabalhou nas principais emissoras do país — Band, TV Cultura, Record e Globo — além das extintas Excelsior, Rio e Tupi.

Entre 1968 e 1973 foi atriz da TV Record, onde fez 8 novelas, entre elas As Pupilas do Senhor Reitor e Os Deuses Estão Mortos. Em 1974 voltou para a Tupi e ficou até o fechamento em 1980, com destaque para Ídolo de Pano e Os Apóstolos de Judas. Em 1981 foi convidada por Daniel Filho para a Globo em Brilhante e desde 1983 ficou contratada da emissora.

Ao todo, são mais de 74 trabalhos na TV, com mais de 60 novelas e quase 80 títulos contabilizados entre novelas, séries e teleteatros, com atividade ininterrupta de 1944 a 2026.

Personagens inesquecíveis

Ao longo de sua extensa carreira, Laura construiu uma das mais ricas galerias de personagens da TV brasileira:

Marta em Fera Radical (1988), a amiga leal de Malu Mader

Dona Cândida em Felicidade (1991), mãe de Tony Ramos

Dona Isaura em Mulheres de Areia (1993), mãe das gêmeas Ruth e Raquel

Dona Guiomar em A Viagem (1995), que vive forte transformação espiritual

Sinhana em Irmãos Coragem, Tia Ruth em Salsa e Merengue, Dona Carmem em Chocolate com Pimenta, Laksmi em Caminho das Índias e Dorotheia em Gabriela. 

No teatro, estreou aos 32 anos em Plantão 21 (1959) e ganhou dois Prêmios Shell por Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu (1990) e Vereda da Salvação (1993).

Prêmios e reconhecimento

Laura colecionou os principais prêmios do país: três Prêmios Grande Otelo, cinco Prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa. Em 2006 foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural e em 2023 recebeu o Troféu Oscarito no Festival de Gramado pelo conjunto da obra.

Nos últimos anos, mesmo aos 97 e 98 anos, dizia que não pensava em parar. “Que eu continue com saúde, trabalhando”, declarou em entrevista.

Laura deixa 3 filhos, netos e bisnetos. Foi casada com Fernando Balleroni de 1949 até a morte dele em 1980.

O velório de Laura Cardoso é fechado aos fãs da atriz e ocorre desde as 8h até as 14h desta terça-feira (18). Porém, os admiradores poderão fazer suas homenagens na parte externa do Funeral Home, na Bela Vista, nas proximidades da Avenida Paulista, em São Paulo capital.

Descanse em paz, Dona Laura.

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